


Uma reportagem do Jornal Opção Tocantins publicada nesta semana informou que o Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou dois inquéritos civis para apurar possíveis irregularidades relacionadas à atuação do médico F.A.S. e da empresa Clinialves Ultrassom e Imagens Ltda. As investigações envolvem contratos firmados com municípios, possíveis incompatibilidades de jornadas de trabalho, registros de atendimentos no sistema e-SUS, faturamento de exames de ultrassonografia e eventual ausência em plantões no Hospital Regional de Pedro Afonso.
Um dos procedimentos foi
instaurado por meio da Portaria nº 4304/2026 e tem como foco os contratos e os
serviços prestados nos municípios de Recursolândia e Centenário. Conforme o
MPTO, a documentação reunida até o momento aponta indícios que serão apurados
quanto à possível incompatibilidade entre jornadas de trabalho, além de
questionamentos sobre registros de atendimentos na atenção básica e o
faturamento de exames de ultrassonografia.
A portaria informa que o
Conselho Regional de Medicina do Tocantins (CRM-TO) também instaurou a
Sindicância nº 000016.02/2026 para analisar a conduta do profissional dentro
das atribuições do conselho de classe. A existência das investigações, porém,
não significa que as irregularidades estejam comprovadas.
No curso da apuração, o
Ministério Público requisitou apoio técnico para realizar o cruzamento das
escalas de plantão do Hospital Regional de Pedro Afonso com os registros de
atendimentos efetuados em Recursolândia e com as datas de prestação de serviços
em Centenário. O objetivo é verificar a existência de eventual sobreposição de
horários ou incompatibilidade de deslocamento entre os municípios. Conforme
consta na portaria, a distância entre Recursolândia e Pedro Afonso é de
aproximadamente 150 quilômetros.
Outro aspecto investigado diz
respeito à forma de registro dos atendimentos no sistema e-SUS. O MPTO pretende
verificar se os lançamentos foram realizados durante o funcionamento da unidade
de saúde ou inseridos posteriormente e em bloco, hipótese que, caso confirmada,
poderá indicar simulação da prestação do serviço.
A investigação também inclui a
análise da quantidade de exames de ultrassonografia faturados. O Ministério
Público busca esclarecer se seria possível um único profissional realizar e
emitir laudos de 199, 98 ou 88 exames em uma única jornada, conforme indicariam
documentos de despesas quitadas pela Prefeitura de Centenário em 2022.
Além disso, o procedimento
verificará se as notas fiscais emitidas pela Clinialves Ultrassom e Imagens
Ltda. estavam acompanhadas das respectivas autorizações para realização dos
procedimentos, das listas contendo os nomes dos pacientes e dos laudos
assinados que comprovem a execução dos exames cobrados.
Outro ponto incluído na
investigação refere-se ao valor pago pelos exames de ultrassonografia. De
acordo com a portaria, o preço teria passado de R$ 160,00 em 2023, para R$
223,33, em 2024, representando um aumento de aproximadamente 40%. O Ministério
Público pretende verificar se o processo de contratação contém planilha de custos,
índices inflacionários ou outra justificativa econômica para o reajuste.
Suposta
ausência em plantões
Paralelamente, a 2ª Promotoria
de Justiça de Pedro Afonso instaurou o Inquérito Civil nº 4305/2026 para apurar
a possível ausência do médico em plantões no Hospital Regional de Pedro Afonso.
A representação recebida menciona registros de plantões de 12 e 24 horas em
dias úteis que poderiam ser incompatíveis com a carga horária contratada no
município de Recursolândia.
Segundo a portaria, entre
janeiro e junho de 2025, o profissional teria realizado, em média, quatro
plantões de 24 horas e um plantão de 12 horas por mês no hospital. O documento
também aponta que, em junho daquele ano, teriam sido registrados seis plantões
de 12 horas às segundas-feiras e terças-feiras. Essas informações serão
verificadas durante a tramitação do inquérito.
As investigações permanecem em
andamento e poderão ser arquivadas caso as suspeitas não sejam confirmadas.
Em nota encaminhada ao Jornal Opção Tocantins, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informou
que está adotando todas as providências administrativas cabíveis para apurar o
caso citado, com o devido encaminhamento à Corregedoria da Secretaria,
responsável pela condução das medidas pertinentes.
A pasta esclareceu que todos
os profissionais de saúde lotados nas unidades hospitalares da rede estadual
devem cumprir, obrigatoriamente, as jornadas de trabalho e os plantões
previstos na legislação vigente, especialmente na Lei Estadual nº 3.490, de 1º
de agosto de 2019, e na Portaria nº 479/2019/SES/GASEC, de 26 de agosto de
2019, que estabelecem as normas para o cumprimento das jornadas de trabalho e o
funcionamento das unidades de saúde.
Ainda conforme a SES-TO, a
Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a responsabilidade na
gestão pública e a correta prestação dos serviços de saúde, adotando todas as
medidas administrativas necessárias sempre que forem identificados indícios de
descumprimento das normas que regem a atuação dos servidores da rede estadual.
A Secretaria informou ainda
que todas as unidades hospitalares da rede estadual mantêm as escalas de
plantão atualizadas e afixadas em locais de fácil visualização, garantindo
acesso à informação e permitindo a consulta por qualquer cidadão.
Confira a nota:
Nota
A
Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informa que está adotando
todas as providências administrativas cabíveis para apurar o caso citado, com o
devido encaminhamento à Corregedoria da Secretaria, responsável pela condução
das medidas pertinentes.
A
SES-TO esclarece que todos os profissionais de saúde lotados nas unidades
hospitalares da rede estadual devem cumprir, obrigatoriamente, as jornadas de
trabalho e os plantões previstos na legislação vigente, especialmente na Lei
Estadual nº 3.490, de 1º de agosto de 2019, e na Portaria nº
479/2019/SES/GASEC, de 26 de agosto de 2019, que estabelecem as normas para o
cumprimento das jornadas de trabalho e o funcionamento das unidades de saúde.
A
Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a responsabilidade na
gestão pública e a correta prestação dos serviços de saúde, adotando todas as
medidas administrativas necessárias sempre que forem identificados indícios de
descumprimento das normas que regem a atuação dos servidores da rede estadual.
A
SES-TO informa ainda que todas as unidades hospitalares da rede estadual mantêm
as escalas de plantão atualizadas e afixadas em locais de fácil visualização,
garantindo acesso à informação e permitindo a consulta por qualquer cidadão.
Veja Também


