

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) encaminhou ao Portal CNN um ofício em resposta ao manifesto publicado na última terça-feira, 28, em que moradores de Tocantínia defendem a pavimentação de um trecho de 8 quilômetros da TO-010, que atravessa a Terra Indígena Funil.
No documento assinado pelo
coordenador regional Araguaia-Tocantins da Funai, Bolívar Pereira Rodrigues
Xerente, o órgão afirma que sua atuação no processo de licenciamento ambiental
tem seguido rigorosamente a legislação e esclarece que ainda não concluiu sua
análise técnica sobre o empreendimento.
O manifesto, assinado pelo
morador Orcimar Sousa Gomes de Amorim e publicado pelo Portal CNN, defende a
pavimentação da rodovia como forma de garantir o direito de ir e vir da
população, reduzir impactos ambientais provocados pela manutenção constante da
estrada de terra e promover o desenvolvimento sustentável da região. O texto
ressalta que não há oposição aos direitos dos povos indígenas e defende uma
solução que concilie a preservação ambiental, a proteção das terras indígenas e
as necessidades da população.
Na resposta, a Funai lembra
que Tocantínia abriga duas terras indígenas regularizadas: a Terra Indígena
Xerente, homologada em 1989, e a Terra Indígena Funil, homologada em 1991,
ambas destinadas ao usufruto exclusivo do povo Akwẽ-Xerente, conforme prevê o
artigo 231 da Constituição Federal.
Segundo o órgão, o processo de
licenciamento ambiental da pavimentação tramita no Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desde 2022. Naquele ano, o
instituto solicitou à Funai informações técnicas que deveriam integrar o Termo
de Referência para elaboração dos estudos ambientais da obra.
A Fundação informa que atua no
processo apenas como órgão interveniente e explica que, no último dia 2 de
julho, solicitou à Agência Tocantinense de Transportes e Obras (Ageto) o
protocolo da versão final do Estudo do Componente Indígena (ECI), documento
considerado indispensável para que o Ibama possa analisar a viabilidade do
empreendimento e decidir sobre a emissão da Licença Prévia.
“A atuação desta Fundação
observa estritamente os preceitos constitucionais, a legislação vigente e as
normas técnicas, exercendo as competências que lhe são legalmente atribuídas na
proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas”, afirma a Funai no
ofício.
O órgão também ressalta seu
compromisso com a transparência e o diálogo institucional e solicita que os
esclarecimentos sejam considerados para assegurar a correta compreensão dos
fatos relacionados ao processo de licenciamento ambiental.
Manifesto
No documento publicado pelo
Portal CNN, os moradores afirmam que a população não questiona os direitos dos
povos indígenas nem a necessidade de preservação ambiental, mas argumentam que
a falta de pavimentação compromete direitos constitucionais como o acesso à
saúde, educação, transporte e segurança.
O manifesto também sustenta
que a manutenção permanente da estrada de terra provoca erosão, assoreamento de
córregos e gastos públicos recorrentes, defendendo que uma pavimentação
executada dentro das normas ambientais seria mais sustentável do que as intervenções
periódicas realizadas atualmente.
Ao final, os moradores pedem
que União, Estado, Município, Funai, órgãos ambientais e demais instituições
construam uma solução que concilie a proteção da Terra Indígena, a preservação
ambiental e o direito de locomoção da população de Tocantínia.
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