

O Sistema FAET/Senar fechou as homenagens às mulheres em março com um reconhecimento às lideranças femininas do agro tocantinense. “A presença da mulher em posição de destaque nas nossas entidades tem crescido bastante e, da mesma forma, é cada vez mais comum ver propriedades rurais sendo comandadas por mulheres, por isso, temos que homenageá-las”, destacou o presidente Paulo Carneiro.
Segundo ele, outras
iniciativas ainda virão pela frente porque além de garantir espaço para a
representatividade feminina, o presidente considera que é preciso preparar as
novas lideranças para o exercício de suas atividades.
Para a superintendente do
Senar, Rayley Luzza, em breve o sistema deve apresentar novas ações voltadas
para o público feminino. Ela lembrou que um exemplo dessa ascensão feminina
está nos próprios sindicatos rurais, onde atualmente sete das 40 entidades espalhadas
pelo estado estão sob o comando de uma mulher.
Experiências de sucesso
Simone Sandri - A
presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso, Simone Sandri, represena o
avanço da liderança feminina no agronegócio tocantinense. Prova disso são os
frutos colhidos à frente da entidade. Com trajetória ligada ao campo desde a
infância, ela assumiu o cargo em maio de 2024, ampliando sua atuação
estratégica no setor.
Apesar dos desafios iniciais,
Simone destaca a superação, inclusive do preconceito, com base em competência e
resultados. E por onde passa, segundo ela, a mulher deixa sua marca mostrando
que o agro também é lugar de mulher.
“Hoje, vejo que mais do que
uma barreira, isso se transformou em oportunidade para abrir caminhos e
fortalecer ainda mais a presença feminina no agronegócio”, afirmou. Também à
frente da Comissão de Mulheres da FAET, ela incentiva a participação e o protagonismo
das mulheres no setor.
Flávia Germendorff – Para
ela, a criação que teve, com o trabalho junto aos pais no campo desde jovem foi
alicerce para a atuação à frente do Sindicato Rural de Natividade. Ela está no
comando da entidade há dois anos e divide essa função com outra na diretoria da
Aprosoja Tocantins, onde está a cerca de 6 anos.
Administradora, especializada
em Comercio Exterior, participou ativamente das atividades no campo da família,
tanto na produção de grãos como na plantação e comércio de bananas.
“Meu pai ensinou desde cedo
que ser mulher não fazia diferença. E isso me deu tranquilidade para assumir
funções mesmo num ambiente dominado por homens. Nunca me senti como sexo
frágil”, destacou.
Sandra Carneiro – Há
seis anos à frente do Sindicato Rural de Almas, ela teve uma trajetória até
aqui que mesclou o trabalho no campo e as atividades na área educacional. Desde
jovem acompanhava o pai na produção de leite em Goiás e dele ficou a lição de
que, não importa onde estivesse, que tudo deveria ser o mais bem feito
possível.
Ao lado do marido, desbravou o
sudeste do Tocantins nos primeiros anos do novo estado com a atividade na
produção de arroz e de gado de corte. Depois assumiu o comando do sindicato
rural e superou as desconfianças iniciais com dedicação.
“O agro é agro, um ambiente
muito machista onde nem sempre aceitam que uma mulher possa saber mais. Mas é
preciso entender que o setor não é só pra ficar desfilando de bota e chapéu, a
mulher tem que ter conteúdo, não pode ser só embalagem. Tem que entender do que
faz”, disse.
Gina Minghini – O
exemplo de força da mãe que ficou viúva com nove filhos para criar foi a
inspiração da presidente do Sindicato Rural de Dianópolis. Há seis anos, ela e
o filho comandam a propriedade da família, depois do falecimento do marido.
Dividindo o tempo com o trabalho na área de educação, ainda conseguiu tempo
para estar à frente da entidade rural.
“Assumi o comando da entidade
num momento difícil e logo no primeiro ano já fizemos dois grandes eventos. No
início senti uma certa resistência de alguns produtores, mas superamos isso com
o tempo porque mostrei a eles que estava ali pra somar, pelos mesmos
interesses”, afirmou.
Gilvânia Barros – A
capacidade da mulher de assumir multitarefas também foi a característica
apontada pela presidente do Sindicato Rural de Aliança. Militar da reserva,
bacharel em Direito, ela não só apoia os negócios do marido no segmento
comercial, como também lidera as atividades na propriedade da família, além do
comando da entidade rural.
“Num ambiente que costuma ser
muito machista, a mulher não pode se intimidar com as resistências. Tem que
sair fazendo e mostrando que é capaz. A ação conquista respeito”, destacou.
Ozenira Caldeira -
Conhecida como Pretinha, desde cedo trabalhou no campo ao lado do pai em Goiás.
Mas foi em Dueré, onde presidente do Sindicato Rural que ela construiu história
no agro ao lado da família.
É umas das pioneiras na
liderança feminina sindical rural no Tocantins e chegou ao comando do sindicato
aclamada pelos produtores, onde está a três mandatos. Por isso, costuma ser uma
grande incentivadora das mulheres a assumirem responsabilidades e serem voz
ativa nos negócios de suas famílias.
“Quando comecei, quase não
víamos mulheres nesses espaços. Hoje tenho orgulho de dizer que ajudei a abrir
porteiras para que outras viessem e ocupassem seu lugar. Estamos mostrando que
competência não tem gênero”.
Cássia Cayres - No
comando do Sindicato Rural de Augustinópolis há 11 anos, a presidente Cássia
Cayres é símbolo de liderança feminina no agronegócio no Bico do Papagaio.
Primeira mulher a ocupar o cargo na região, ela assumiu após reativar a
entidade, que estava inativa desde 2002, ampliando sua atuação para 10
municípios.
Enfrentou resistência em um
ambiente predominantemente masculino, mas conquistou seu espaço com trabalho e
firmeza. “Nós mulheres temos que trabalhar mil vezes mais do que os homens para
mostrar o nosso valor”, afirma.
Ao longo da gestão, Cássia
fortaleceu o sindicato e passou a ser referência entre os produtores. A atuação
dela também é marcada pelo incentivo ao protagonismo feminino, promovendo ações
e eventos que buscam ampliar cada vez mais a participação das mulheres no agro.
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