Interdição de ponte na BR-235 ameaça logística do agro e preocupa produtores do Centro-Norte do Tocantins

Por Rafael Duarte Publicado em: 21/05/2026 - 10:20

Dirigentes temem dificuldades para escoar a soja e o milho produzidos na região

A interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, no km 163,89 da BR-235/TO, entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama, já provoca forte preocupação no setor agropecuário do Centro-Norte do Tocantins. A medida preventiva foi anunciada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após vistoria técnica identificar problemas estruturais na travessia, considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola da região.

 

O bloqueio ocorreu na tarde desta quarta-feira, 20, menos de um dia após o órgão federal já ter restringido a passagem de veículos pesados acima de 12 toneladas. Segundo o DNIT, equipes de engenharia seguem realizando inspeções e estudos técnicos para identificar as causas das manifestações estruturais encontradas na ponte e definir quais intervenções serão necessárias.

 

A situação acendeu o alerta entre produtores rurais, cooperativas, transportadoras e entidades do agronegócio, principalmente em um período de intenso escoamento da safra de soja e da safrinha de milho, bem como dos preparativos para o cultivo da safra 2026/2027.

 

Presidente da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (COAPA), Ricardo Khouri afirmou que a interrupção da travessia gera impactos imediatos na logística regional e pode provocar aumento no custo do frete, além da desvalorização da produção local.

 

“Olha, o impacto direto para o agronegócio, especificamente, é uma enorme preocupação com a logística de saída dos grãos que ainda estão armazenados aqui da margem direita do Rio Tocantins, que precisam chegar até o município de Palmeirante (TO) para embarcar no trem e ir para a exportação”, afirmou.

 

Segundo ele, o problema afeta diretamente toda a cadeia logística do setor. “Essas empresas [tradings], que compram a nossa produção, têm uma programação. A cadeia logística é muito bem dimensionada. Se você tem um gargalo tão sério como esse, fatalmente essas empresas vão querer renegociar. O produto produzido aqui na região do Médio Norte do Tocantins vai ser desvalorizado porque vai aumentar o custo para ele chegar até o mercado consumidor”, explicou.

 

Khouri também destacou os impactos para o próximo ciclo agrícola, já que o bloqueio dificulta o transporte de insumos necessários para o plantio da safra de verão.

 

“Dificulta a chegada dos fertilizantes, das sementes, dos químicos. Então, o que a gente espera é que sejam colocadas balsas capazes de transportar grandes caminhões o mais rápido possível. Só isso já vai gerar um transtorno, mas pelo menos ameniza”, disse.

 

Questionado sobre o possível aumento no custo do frete, o presidente da COAPA estimou que o desvio pode acrescentar entre 120 e 130 quilômetros às rotas de transporte.


Impactos em todos os setores

A presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso (Sirpar), Simoni Sandri, também demonstrou preocupação com os reflexos econômicos e sociais da interdição. Segundo ela, os prejuízos já começam a ser sentidos pela população e por diversos setores produtivos da região.

 

“O desvio imposto aumenta significativamente as distâncias, eleva os custos logísticos, atrasa o transporte de insumos e o escoamento da produção agrícola, além de comprometer o abastecimento e a mobilidade regional”, afirmou.

 

Ela ressaltou que a ponte é considerada fundamental para o agronegócio tocantinense, especialmente para o transporte de grãos, fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas e circulação de trabalhadores do setor produtivo.

 

“Na área da saúde, temos aqui o Hospital Regional, agências bancárias, revendas, leilões de gado, comércio em geral. Sua paralisação afeta diretamente a economia regional e coloca em risco a competitividade do agro no Centro-Norte do Tocantins”, pontuou.

 

Simone também destacou os impactos sociais causados pela interrupção do tráfego.

 

“Além dos impactos econômicos, a situação gera insegurança e preocupação social. Famílias, estudantes, pacientes em busca de atendimento médico e pequenos comerciantes enfrentam dificuldades diárias devido ao isolamento parcial causado pela interdição”, declarou.

 

Diante da situação, o setor produtivo cobra rapidez nas soluções emergenciais e maior transparência sobre as condições estruturais da ponte.

“A população espera uma resposta rápida das autoridades competentes, com transparência sobre as condições estruturais da ponte, definição urgente de soluções emergenciais e um plano efetivo de recuperação da travessia, garantindo segurança e a retomada do fluxo normal entre os municípios”, concluiu a presidente do Sindicato Rural.

 

Para garantir o cumprimento do bloqueio e orientar os motoristas, o DNIT informou que conta com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na fiscalização do trecho. (Colaborou Fred Alves)


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