

O desaparecimento de Luiz Fernando Louzeiro, conhecido em Pedro Afonso como “Xiririca”, segue sem esclarecimento quase seis anos após o último registro de seu paradeiro. Ele sumiu no início de maio de 2020, aos 40 anos, durante o período inicial da pandemia da Covid-19, e nunca mais foi visto.
Luiz Fernando morava com a mãe
e trabalhava como ajudante de serviços gerais em uma empresa terceirizada que
prestava serviços para a Bunge, no município. Segundo familiares, ele começou a
apresentar fortes dores de cabeça após alguns dias de trabalho e demonstrava
preocupação com a possibilidade de ter contraído Covid-19 e transmitido a
doença à mãe.
Diante dos sintomas, um dos
irmãos o levou ao Hospital Regional de Pedro Afonso para atendimento médico. O
familiar deixou Luiz Fernando na unidade de saúde e orientou que ele aguardasse
até ser liberado para buscá-lo em seguida. No entanto, no início da noite do
mesmo dia, por volta das 19h, a família recebeu a informação de que Luiz
Fernando havia apresentado um surto psicótico na unidade de saúde e deixado o
local. Desde então, não houve mais contato.
Últimos
registros e deslocamento até a área do rio
Após sair do hospital, Xirica
seguiu em direção à região do rio Sono. No caminho, ele passou pela casa de uma
vizinha e pediu que ela chamasse a polícia, afirmando que havia pessoas atrás
dele. De acordo com os familiares, não existia qualquer ameaça real naquele
momento.
Naquela noite, a família optou
por não segui-lo imediatamente, temendo que uma abordagem provocasse uma reação
mais grave. No dia seguinte, sem notícias, os irmãos iniciaram buscas na área
onde ele teria descido em direção ao rio.
Conforme os familiares, o
nível do rio estava baixo, com áreas de lama expostas, e não foram encontrados
vestígios que indicassem que Luiz Fernando tivesse entrado na água. A partir
desse ponto, a família passou a realizar buscas diárias por conta própria.
Buscas
oficiais e procura por conta própria
A Polícia Militar foi acionada e solicitou apoio do Corpo de Bombeiros, que realizou buscas nos rios Sono e Tocantins, até o município de Tupiratins. As equipes percorreram cerca de dez quilômetros rio abaixo e também fizeram varreduras nas margens, sem localizar indícios do desaparecido.
Paralelamente, os familiares
organizaram buscas terrestres por aproximadamente 20 dias, com apoio de
vizinhos e amigos. Os grupos saíam pela manhã e percorriam estradas vicinais,
áreas de mata e fazendas, utilizando até quatro veículos por vez. Apesar do
esforço, nenhuma pista concreta surgiu.
Após cerca de um mês, um dos
irmãos registrou oficialmente o boletim de ocorrência na delegacia. Segundo a
família, houve contatos esporádicos com a polícia nos meses seguintes, com a
informação de que o caso estava sob investigação, mas sem retorno efetivo ou
atualização sobre o andamento das apurações.
Relatos
de possíveis avistamentos
Dias após o desaparecimento,
um trabalhador que retornava do serviço à noite relatou ter visto um homem com
as mesmas características de Luiz Fernando pedindo carona em uma estrada da
região. Outro relato partiu de um morador rural, que afirmou ter visto um homem
caminhando pelo acostamento de uma rodovia, vestindo short e camiseta, com a
cabeça baixa.
A descrição da roupa e do
corte de cabelo coincidiam com as características de Xirica no dia do
desaparecimento. A partir dessas informações, familiares intensificaram as
buscas em direção aos municípios de Rio Sono e Tocantínia, sem sucesso.
Contexto
familiar e dificuldades
Luiz Fernando era o mais novo
de seis irmãos. O pai havia falecido cerca de dois meses antes do
desaparecimento, fato que, para a família, pode ter impactado emocionalmente o
trabalhador. Os irmãos relatam que ele mantinha rotina ativa, ajudava em
trabalhos informais e tinha relação próxima com a família.
Sem recursos financeiros, os
familiares afirmam que custearam as buscas por conta própria, chegando a pedir
ajuda para combustível. Com o passar do tempo e a falta de novas pistas, as
buscas foram interrompidas.
Até hoje, segundo os irmãos, a
mãe de Luiz Fernando não aceita a possibilidade de morte do filho. Para a
família, a esperança permanece na chance de que ele esteja vivo e tenha perdido
contato após um possível surto ou efeito de medicação.
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